Alga do Sushi Ameaça Biodiversidade no Norte de Portugal
- Jorge Costa
- 3 de mar.
- 2 min de leitura
03 de março, 2025.
Investigação pioneira da UMinho e UPorto revela impactos da alga wakame na biodiversidade costeira do Norte de Portugal e propõe medidas de mitigação. Este estudo sublinha a urgência de proteger os ecossistemas marinhos.
Uma equipa de investigadores das universidades do Minho (UMinho) e do Porto (UPorto) realizou o primeiro mapeamento da alga wakame (Undaria pinnatifida) na costa Norte de Portugal, revelando os seus impactos na biodiversidade local. A wakame, considerada uma das 100 espécies mais invasoras do mundo, é rica em nutrientes e utilizada na culinária asiática, incluindo o sushi. No entanto, a sua presença descontrolada representa uma ameaça para as espécies nativas.

O estudo, publicado na revista científica "Plants", revelou que a distribuição da alga wakame está ligada à salinidade da água. A alga prolifera em marinas de água salgada, como as da Póvoa de Varzim e Leça da Palmeira, mas não em estuários com menor salinidade. Nos habitats naturais, a wakame surgiu temporariamente em zonas rochosas de Carreço e Canto Marinho, mas desapareceu após as tempestades de inverno.
"Esta espécie tem tolerância limitada a condições como a exposição à ondulação, o que restringe a sua disseminação para áreas mais expostas, mas pode continuar a representar uma ameaça em ambientes mais protegidos", explica Marcos Rubal, investigador da UMinho.
A investigação demonstrou que a wakame substituiu a alga nativa S. latissima em marinas e cresceu sobre mexilhões fixos em estruturas artificiais. Nos habitats naturais, a alga invasora cresceu sobre a espécie nativa G. baccata.
Para mitigar estes impactos, os cientistas realizaram experiências de remoção da wakame na marina de Viana do Castelo. Os resultados foram promissores, com a recolonização parcial da alga S. latissima, indicando que a redução da wakame contribui para a recuperação das espécies nativas.
Este estudo fornece dados cruciais para o desenvolvimento de estratégias de gestão e conservação dos ecossistemas marinhos. No Dia Mundial da Vida Selvagem, esta investigação sublinha a importância de proteger a biodiversidade marinha das ameaças das espécies invasoras.
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